Depois de uma manhã um tanto quanto caótica de domingo, penso que eu, uma amante dessa amazônia-de-meu-deus, mereço um bom banho de rio para me acalmar, retomar minha paz interior, entrar em contato com a essência mais intensa da natureza, canalizar meu eu interior em contato com a água maravilhosa desse Rio Negro. Ao invés de seguir para casa, sigo para Iranduba (na maior facilidade usando a Ponte) em busca do eldorado: a famosa praia de Açutuba, que nos últimos dias tem sido centro de conversas e mais conversas entre meus conhecidos. Entendi muito bem o consenso de todos comentarem sobre o lugar: todos vão para lá!!
Simplesmente, depois de dirigir uma meia hora, lá estou eu diante não da praia, mas de um mundo de carros em meio à natureza deserta. Carro, carro, carro, manobrista, estacionamento pago, ônibus (dois! imensos!), motorista dando ré, um buzinando para o outro porque ia entrar na vaga, uma moto quase atropelando um pedestre. E então, lá no fundo, avisto o rio. Lá está o Rio Negro, imenso, todo cheio de banzeiro porque o tempo estava bem fechado. Impressionante. Insistente que sou, lá vou eu entre os carros tentando entender até onde iria aquele estacionamento e já que havia tanta gente voltando, devia haver alguma vaga. Ah, Paula… tão inocente…
Mais adiante, pior que o caos que eu vi nos primeiros metros, era o caos para fazer o retorno. Primeiro porque não havia espaço para fazer retorno, segundo porque a via estava totalmente tomada por carros estacionados e só havia mão para um único carro por vez. Mas quem avisa de quem é a vez? Ninguém, claro! Espera-se o caos instaurar-se para um ou outro motorista (quase todos de sunga, uma coisa!) descer do seu carro com seu corpinho de fora e ir lá na frente dar ordens para um e outro motorista dar ré e liberar a passagem. Eu, para o meu azar e o de todos, era a primeira da fila para iniciar o retorno e por isso todos os xingamentos e gritos e grunhidos vinham na minha direção, como se eu fosse a comandante do pelotão de retorno.
Enfim, estava calma e paciente, mesmo diante do fato de estar perdendo preciosas horas do meu domingo lindo de descanso. Parei o carro finalmente. Não me dei por vencida e fui até a beira-rio conhecer a bendita da praia e entender o motivo de juntar tanta gente ali. Realmente a praia é linda, imensa, cheia de areia, com algumas árvores, água do Rio Negro. Mas boa mesmo só vai ficar às 5h da manhã de um sábado ou talvez às 7h de uma manhã de segunda feira. Melhor pensando, segunda não deve ficar boa porque a sujeira jogada no domingo ainda vai estar toda lá. Para mim, caos urbano e programa na natureza não combinam.
















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